segunda-feira, 18 de abril de 2016

Uma estreia a papel MATE


Dez minutos antes da hora marcada já está a chegar. Tem uma serenidade desarmante e, à sua volta, o tempo parece fluir “com tempo”. O dia-a-dia de correrias, dividido (ou multiplicado!) pela dedicação aos filhos, à família e ao trabalho, para ela decorre sem pressas. Cada coisa a seu passo, cada minuto a seu tempo. A Maria é a segunda de 5 irmãs - todas elas donas de um “allure” que não se explica - e passou a infância na Estrela, numa casa que partilhava a mesma rua com o colégio, prolongando, assim, o recreio da escola. Enquanto prepara a máquina e escolhe as lentes, fazemos juntas um esforço de memória e sorrimos das mesmas coisas, do som dos nossos sapatos pequenos no estalar da madeira clara, do cheiro confortável a veludo, dos sabonetes de frutos em forma de animais e da casinha de bonecas no jardim, uma casa à medida dos nossos 7 anos, cenário ideal de brincadeiras, perfeita para deixar o tempo entrar.

Designer de formação e fotógrafa de coração, foi nesta última condição, de apaixonada pelo que faz, que aceitou o nosso convite: fotografar a primeira sessão do blogue! Com um portefólio recheado de espontaneidade e bons momentos em família, que pode e deve conhecer aqui, ninguém melhor do que ela para captar cinco crianças em movimento e duas mães que se estreiam na blogosfera. Um pretexto, também, para voltarmos a estar juntas e nos “re-conhecermos”, 30 anos depois.

1. O que te levou a seguir design gráfico e quando é que decidiste mudar de rumo? Porquê fotografia?

O design foi um caminho natural para quem desde sempre sonhou com artes, mas precisava de uma profissão supostamente “mais sustentável”, que acabou por não o ser. No entanto, não a dei como perdida e em 2013 criei a MATE, fusão das minhas ferramentas e competências, deixando surgir a Fotografia profissional, que, ao deixar de ser aspiração de adolescente, passou a ser o meu sustento, do bolso e da alma!

2. Tens antecedentes na família ligados à fotografia ou às artes? Quais foram as influências mais importantes no teu percurso?

Tenho uma família repleta de artistas, de todas as áreas e com todos os feitios… E sim, a fotografia, embora não profissional é partilhada com alguns familiares. As influências mais importantes no desgoverno da minha vontade própria foram, sem dúvida, os meus pais, e a eles agradeço terem-me dado a oportunidade de permanecer na arte, de saber reconhecer quando é preciso mudar e não ter medo dessa mudança mesmo que se demore mais tempo a alcançar metas. Mais recentemente, e com igual importância, tenho o meu marido, que apostou em mim investindo no meu “talento”, e também, embora por último por uma questão cronológica, mas em primeiro no nível de influência, os meus filhos, o meu incentivo e a minha maior inspiração!

      

3. Gostas de “viajar, cozinhar, criar, conhecer, ler, meditar, saborear o momento”, qual é o teu lema de vida?

Amar, viver a essência da vida e reconhecer a felicidade!

4. Fotografas imensas famílias (algumas ainda na maternidade) e muitas das imagens parecem ter banda sonora, os risos quase audíveis, os sons do ambiente...Fomos buscar uma frase do Mia Couto que diz que “a imagem é tanto mais bela quanto ela for auditiva, evocando sonoridades do momento”. Concordas?

Sem dúvida, as imagens dão-nos a oportunidade de imaginar além do momento. No caso da reportagem fotográfica criam-se, ao mesmo tempo, réplicas fidedignas da realidade e uma abstracção de um acontecimento que só é conhecido para os próprios fotografados. No entanto, a imagem que daí resulta permite a cada observador invocar para si esse momento, mesmo que não o tenha vivido, interpretando-o através da sua própria experiência de vida ou senso comum. Os cheiros que estão na sua memória, os risos que lhe são familiares, as piadas que o fazem rir, a tristeza que mais o apoquenta, a ansiedade da pior situação que viveu, ou o consolo da saudade… As fotografias de família são o maior tesouro e legado da nossa própria história, do nosso auto-conhecimento, capazes de fazer sentir o cheiro do bolo de chocolate que a bisavó que nunca conhecemos fazia para a nossa avó, que estando vestida com roupas quentes de Inverno, nos torna capazes de sentir frio em pleno Verão e trazer para perto de nós as pessoas que nos deram origem!





5. O que é para ti um bom fotógrafo, que qualidades reconheces e que procuras imprimir o teu trabalho?

Para mim um bom fotógrafo é aquele para quem a máquina não é uma simples ferramenta, mas sim uma extensão de si, dos seus olhos, dos seus sentidos, das suas palavras, é aquele que pretende deixar mensagem, criar história, dar a conhecer… E ter a capacidade de ver mesmo aquilo que não é visível… Ser um bom fotógrafo não é ser somente um técnico ou um profissional, é abraçar um estilo de vida.


6. O que mudou no teu olhar ou na tua sensibilidade depois de seres mãe? Tens dois filhos muito seguidos, mas cada filho é uma história, calculo que tenhas descoberto novos ângulos, outras perspectivas…

Os meus filhos, além de me terem tirado da zona de conforto ao desviarem o foco da lente para as pessoas, mudaram completamente o meu olhar, a minha sensibilidade às famílias e aos momentos fugazes que queremos gravar para sempre.



7. Além de sessões de família, tens mais 5 serviços: Faces, Myself, Parties, Friends e Commercial, esta última dedicada à fotografia de produto; organizas mini sessões em alguns mercados, trabalhas com escolas e já tiveste parcerias com revistas. Que caminho gostavas que o teu trabalho seguisse ou o que te falta fazer?

Gostava de continuar a evoluir na área da fotografia de família e fazer parte integrante dos momentos memoráveis das famílias que, com a continuidade, se tornam “amigos”, principalmente quando já consigo reconhecer aquele olhar do “João” prestes a fazer asneira e que sabe tão bem registar, ou quando já sei que tenho de parar de fotografar o pai, que está a entrar no modo piloto automático sem expressão porque tem mais que fazer, ou da “Maria” que está prestes a tornar-se uma diva e vai tentar monopolizar a objectiva da máquina... No entanto a fotografia é todo um mundo a explorar, e a criatividade é um caminho sem fim que deve ser alimentado, deixando também espaço para que a surpresa surja no caminho!


Há momentos que não vai mesmo querer perder! Inspire-se na página de Instagram da MATE junte a família ou os amigos, celebre um evento de vida, marque um reencontro ou uma despedida, mostre-se como é ou descubra uma nova luz no seu retrato. 


Contactos: www.mate.pt | Maria Mesquitela | T: 91 967 17 04 | E: mariamesquitela.mate@gmail.com






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2 comentários

  1. adorei a entrevista, conheço o trabalho da Maria e gosto muito! Tenho umas fotografias dos meus filhos com poucos meses LINDAS!

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