segunda-feira, 30 de maio de 2016

Cação com arroz de caril...


Talvez uma combinação improvável, mas era basicamente o que tinha em casa e que podia dar alguma graça.
Começo por dizer que nunca tinha feito cação antes. Por isso fui à net, tirei a primeira receita que apareceu e usei-a como base de inspiração. Desculpem-me os puritanos pelas pequenas nuances à receita original, mas este é o cação à minha maneira!


Ingredientes:

- 4 a 6 Postas de cação,
- 1 Molho de coentros frescos,
- 1 Chávena de café de vinagre balsâmico,
- 1 Folha de louro,
- Colorau q.b.,
- Sal q.b.
- Alho,
- Farinha q.b.
- 1,5 dl de azeite.

Preparação:
Deixar o cação marinar durante pelo menos 1 hora em: vinagre, azeite, alho, coentros picados, 1 folha de louro e uma pitada de colorau. Numa panela ao lume com azeite colocar as postas de cação e temperar com sal e pimenta. Adicionar a marinada, mas sem a folha de louro. Deixar cozer durante 20 minutos. Retirar o cação da panela e servir com arroz de caril.

Nota: Se quiser pode juntar um pouco de farinha ao caldo para engrossar um pouco. No Alentejo serve-se com fatias de pão alentejano, as postas de cação por cima e depois o caldo de forma a ensopar.

Bom apetite!!!
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domingo, 29 de maio de 2016

T-shirt para o Dia Mundial da Criança!

Esta semana trago uma ideia para fazerem com os vossos filhos ou como surpresa para o Dia Mundial da Criança. Vai ser um sucesso com certeza!


Materiais:
- T-shirt,
- Papel vegetal grosso,
- Tesoura,
- X-acto,
- Fita adesiva,
- Cola de spray,
- Tinta para tecidos,
- Spray para tecidos.

Passo a passo:
Fazer um desenho no papel e recortar o seu interior. Aplicar cola em spray sobre o molde. Em seguida, medir bem a t-shirt, escolher o local onde quer aplicar o desenho e prensar bem. Colocar a fita adesiva nas extremidades do papel de forma a colar bem na t-shirt e pintar (atenção se usar a tinta de spray ter cuidado com a distância utilizada, não pinte muito em cima; se optar pela tinta normal não esquecer de retirar o excesso de tinta do pincel antes de aplicar a tinta no tecido). Deixar secar bem.
E já está!!!

Nota: Se quiserem podem optar por fazer um desenho livre com ajuda das crianças. Hoje em dia há tintar muito giras com relevos e purpurinas que fazem efeitos que as crianças adoram!

 Até para a semana!

Susana
 
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Dois dedos de conversa com Filipa Guimarães

Cresceu rodeada de tecidos e trapos, de alfinetes, linhas e novelos, matérias-primas que via transformadas em roupas práticas que vestia (e sujava!) nas inúmeras brincadeiras no campo. Com a mãe e as tias entretinha-se horas a fio a fazer tricot e ponto cruz, um jeito que herdou da avó e que faz questão de transmitir às próprias filhas. Foi desta união familiar que nasceu a Nós e Tranças, loja que há 25 anos reinventa os clássicos e tem a capacidade de nos surpreender a cada nova colecção.

1. Quando eras pequena, os vossos irmãos e primos vestiam-se sempre de igual nas festas de família mas, invariavelmente, acabavas “diferente” de todas os outros. Já desde esse tempo que para ti a roupa era para ser vivida e à prova de brincadeiras?

É verdade, por muito que me esforçasse acabava sempre vestida de maneira diferente! Na minha família havia a tradição que as crianças em situações festivas vestiam-se sempre de igual. Na altura era a minha avó que idealizava tudo. Claro que eram vestidos lindos, cheios de rendas e folhos, ou saias travadas que não me deixavam subir às árvores… Mas eu, como “menina do campo”, não aguentava muito tempo sem cair numa poça, ou comer cerejas directamente das árvores e sujar logo o vestido todo! Hoje percebo que os tempos mudaram, continuo a dar a mesma importância às crianças estarem bem vestidas mas também bastante confortáveis. Foi por esta razão que decidi criar uma sub-marca Cotton by Nós e Tranças. Este conceito baseia-se em roupa prática e confortável, todas as peças são 100% algodão e muito fáceis de engomar. Também tem que ser prático para as mães e engomar não é o meu forte! ;)
2. Uma infância de rua e de campo, onde fizeram parte muitas subidas às árvores e barrigadas de uvas e cerejas. De que de forma essa liberdade e contacto próximo com a natureza moldou a tua personalidade? 

A minha infância foi realmente feliz! Tenho óptimas recordações e acho que o campo faz bem a todas as crianças. Passava a maioria dos meus fins-de-semana e férias numa quinta, tinha contacto com a natureza, conhecia as árvores de fruto, fazia “papinhas” de terra com legumes que apanhava na horta para as minhas bonecas. Acho que influenciou bastante a minha personalidade no sentido que não dava tanta importância aos bens materiais, como consolas e afins, que já existiam naquela altura. Com pouco, ou seja, com terra, água, fruta, árvores, bicicleta e pouco mais, fazia-se tudo! Acho que também me tornou uma pessoa mais simples e criativa.
3. Tiraste o curso de marketing e fizeste um estágio na Jerónimo Martins antes de ingressares na Vileda. Mas em 2007 és chamada para o negócio de família. Quais eram as tuas expectativas e o que sentiste ser preciso manter e/ou mudar? 

Tirei o curso de gestão de marketing. Inicialmente idealizava ser gestora de produto de uma multinacional qualquer. Na altura fui desafiada pela Nós e Tranças para modernizar a marca e fazer a expansão da mesma. Hesitei claro, um negócio de família tem muito que se lhe diga, mas acabei por aceitar porque era realmente um desafio para mim naquela altura. A Nós e Tranças já existia há bastante tempo e com muito sucesso. Eu simplesmente vim tentar dar uma frescura à marca para se enquadrar melhor com os tempos modernos. Novas tecnologias é sempre aquele lado que a minha mãe foge e que, obviamente, era mais fácil para mim. Depois acabei por ir mais longe, um bocadinho de design, um bocadinho de contabilidade, e rapidamente acabei por me envolver em todas as áreas. É claro que a experiência da minha mãe e tudo aquilo que me transmitiu desde pequena foram os factores de maior sucesso. Depois os filhos. Com o nascimento das minhas filhas tive a noção plena de tudo o que é necessário para um bebé. Comecei a sentir falta de algumas peças, não encontrava o que queria, e como já percebia qualquer coisa de costura decidi criar um dos nossos produtos de eleição, as golas com molas. Nada mais prático! Acabaram-se as trocas de bodies dos bebés com os bolsados enormes que, logo de seguida, sujam as golas dos bodies. Troca-se apenas a gola e já está! Também, quando olhava para o armário da minha primeira filha, às vezes sentia que era tudo muito igual, sempre golas brancas com vivos. E pensava: e flores? e quadrados? Com umas simples jardineiras de ganga…fica tão giro! E de imediato me perguntava: valerá a pena comprar um body de flores que não condiz com tudo?  - Golas amovíveis, é isso! Vou criar!

4. Ao longo destes anos muita coisa mudou, nasceram novas marcas, as vendas online estão em força, criaram-se novas formas de negócio e de apresentação das peças. Como é que a Nós e Tranças, que já tem 25 anos de presença no mercado, vem acompanhando estas tendências? 

Desde que entrei na Nós e Tranças que muita coisa mudou. Inicialmente era apenas lojas, revenda e ponto! Agora vai muito mais longe…O mundo digital é impressionante e para acompanhar esse turbilhão é preciso estar sempre a par das novas tendências. As vezes não é fácil, entre Facebook, site, pinterest, instagram, pedidos de casamento, fardas de colégio, visita a fornecedores, mercados; mas tento ao máximo acompanhar todo este mundo novo. Apostamos também sempre numa novidade na apresentação das novas colecções. Novos materiais, novos tipos de produto, novas gamas, mas sempre ao nosso estilo!. Queremos que uma cliente olhe para uma peça Nós e Tranças e diga, “ah isso é Nós e Tranças sem dúvida”. Apostamos em aplicações hand-made em vários produtos para tornar a nossa peça única e com o estilo Nós e Tranças claro!
 5. És mãe de duas crianças, com 5 e 2 anos. Elas já têm uma palavra a dizer sobre o que vestem? Gostavas que seguissem o teu trabalho e continuassem à frente da marca?

Uiii se têm. Então a última nem se fala! Para mim uma criança de 2 anos não tem que escolher aquilo que vai vestir mas confesso que faço seguinte: mostro-lhe duas opções e faço-a escolher dentro dessas. Tanto uma como a outra vivem intensamente a Nós e Tranças, para além de participarem nas sessões fotográficas e nos desfiles são super femininas e vaidosas também. Adoraria conseguir manter a Nós e Tranças para as minhas filhas como a minha mãe fez comigo, sinceramente até acho que a minha filha mais velha é capaz de ter bastante jeito, pelo menos já faz desenhos com bonecos vestidos com roupa super elaborada! 
6. Por último, o que esperas para os próximos 25 anos da Nós e Tranças?
Espero genuinamente que consiga manter este negócio familiar e que consiga passar às minhas filhas todo o know-how que a minha mãe me soube passar. A Nós e Tranças deve-se a ela, sem dúvida, eu simplesmente tento dar continuidade nunca esquecendo as novas tendências e tecnologias que a horrorizam!

 Uma loja onde há duas gerações encontramos as peças para os momentos mais importantes da vida dos nossos filhos: da farda da escola à roupa para casamentos e baptizados, passando pelos mergulhos na praia ou brincadeiras no jardim. 
Tudo prático e lindo! 


Nós e Tranças
Rua 4 de Infantaria 83A, 1350-270 Lisboa
T : 21 3850800
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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Mercadinho do Largo

No dia 28 de maio, a Escolinha do Largo, em Cascais, vai realizar a segunda edição do Mercadinho do Largo. São muitas as marcas que vão estar presentes e haverá, também várias actividades para o mais pequenos.

A entrada custa 1€ e o valor total reverte a favor de uma causa social. Para além de ajudar fica-se ainda habilitado a ganhar uma série de prémios que serão sorteados durante o dia!

Contamos consigo? Traga a família e junte-se a nós. Conheça a escola e passe um dia divertido e solidário. Até sábado!

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Inspirações Mexicanas...

Com a chegada de dias mais quentes já apetece comer coisas frescas e leves. Como tal, hoje trago uma inspiração mexicana, guacamole à minha moda! É a minha interpretação de uma receita que vi na net, também num blog, e adaptei-a a meu gosto. É aquela receita ideal para um final de dia com um copo de rosé ou ainda melhor, uma margerita!

Ingredientes:
- 2 Abacates bastante maduros,
- 1 Lima,
- 1/2 Cebola roxa tamanho médio,
- 1/2 Molho de coentros,
- 1/4 Pimento verde ou 1/2 pimenta-jalapenho,
- 1/2 Dente de alho (opcional)
- Pitada de sal.
- Pimenta preta qb moída,
- 3 Colheres de chá de azeite,
- Piripiri (opcional).
Passo a passo:

1 - Picar a cebola,
2 - Raspar a casca de 1 lima, em seguida cortar ao meio e retirar-lhe o sumo,
3 - Picar os coentros e o pimento e juntar ao preparado. Em seguida picar o alho e juntar o sal, a pimenta moída e o azeite. Misturar bem.

4- Cortar o abacate ao meio e retirar o caroço. Com a ajuda de uma colher retirar a polpa ao abacate.
5- Com a ajuda de dois garfos esmigalhar tudo muito bem. 
6- Servir numa taça com tortilhas (estas são picantes) e/ou palitos de cenoura e aipo, para uma opção mais saudável.

Nota: O guacamole deve ser servido de imediato, mas se quiser guardar, cubra com película aderente, a tocar directamente no preparado para não oxidar e em seguida coloque no frigorífico.

Bom Apetite!!!
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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Um dia de Enduro...


Desta vez foi um "tempo para eles"! No sábado o Gonçalo desafiou os miúdos para um programa "só de homens"... Um dia de enduro!

Falámos com o Pedro Bianchi Prata e inscrevemos o Gonçalo e aos miúdos num dos programas que o Pedro oferece, os Estágios de Enduro. O local escolhido foi o Monte da Várzea, em Alvega perto de Abrantes (1h30m de Lisboa).

Aproveitaram para estrear a pista do Monte que agora foi redesenhada pelo Pedro. É uma pista de areia e que exige muito do piloto e das motas, ideal para quem precisa treinar para as provas de competição (que não é o caso do Gonçalo e dos miúdos)....

Para estes Estágios de Enduro, o Pedro tem tudo o que é necessário, desde o equipamento, às protecções e às motas. Não é preciso levar nada. Também  há almoço no restaurante do Monte da Várzea.
Foi um dia em grande! Andaram na pista de areia e também numa pista junto ao rio Tejo, marcada pelo Pedro com ajuda da sua namorada, a Laia Sanz. Para quem não conhece, a Laia Sanz é uma piloto Espanhola (Barcelona) que foi varias vezes campeã do Mundo de Trial, Enduro, e Rally Dakar, onde também foi a única mulher a conseguir um lugar no Top 10 com o seu nono lugar à geral em 2015. Os miúdos adoraram conhecê-la, tal como ao Pedro. São uma simpatia e durante o dia deram-lhes dicas, puxaram por eles, fizeram vários exercícios e ensinaram técnicas para andarem melhor e mais seguros de moto.

No final do dia, chegaram exaustos a casa cheios de histórias para contar, e com muita lama e areia para tirar no banho!

Agora contam os dias que faltam para que o Pedro volte de Marrocos, onde se encontra a dar cursos de navegação, e a organizar expedições para poderem repetir a aventura brevemente.

Aqui ficam algumas fotografias do dia...







Sobre o Monte da Várzea:
"O vasto terreno junto ao Tejo possibilita uma variedade de actividades para tirar o melhor partido da sua estadia e estar em permanente contacto com a natureza. No Monte da Várzea encontra actividades para todos os gostos e idades. Uma relaxante caminhada pelo campo, descer o rio de canoa, passear de cavalo ou mesmo aventurar-se num dos diversos trilhos de BTT."


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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Dicas de Sobrevivência ao pós-parto

Todas nós sabemos que a maternidade é algo maravilhoso, os filhos são realmente a melhor benção que podemos ter na nossa vida. são uma alegria mas... Nem tudo é um mar rosas! As cólicas, choros nocturnos e birras são fases passageiras, mas há coisas que podem demorar mais tempo a passar ou a "ir ao sítio", ou porque nos primeiros tempos não estamos para aí viradas ou porque já não temos vinte anos e a natureza é mesmo assim. As boas notícias é que há sempre algo a fazer para melhorar a nossa auto-estima. Primeiro, e mais importante, desfrutar ao máximo dos nossos bebés (o tempo voa, não custa relembrar), depois, ter objectivos realistas e não viver obcecada com aquilo que já fomos (mais novas, mais magras, mais firmes, com o metabolismo mais rápido) e em terceiro, aproveitar todos os momentos para exercitar e darmo-nos pequenos mimos que ajudam a recuperar e a relaxar, em suma, oferecermo-nos tempo para nós.
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terça-feira, 17 de maio de 2016

Marcador

Esta semana, trago uma ideia muito simples, fácil de fazer e extremamente útil.


Material necessário:
- Tecido/ feltro/ cortiça;
- Lápis;
- Tesoura;
- Linha colorida;
- Agulha.






Passo a passo:

Desenhar o feitio/ forma que pretende.

 Cortar em duplicado. Pode juntar dois bocados de tecido e cortar ao mesmo tempo.

 Coser os dois moldes mas só até meio.

Já está!

Boa sorte e até para a semana.

Susana
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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Um vinho solidário

Capreolus é o nome que a Rovisco Garcia, empresa familiar virada para o respeito e manutenção dos valores naturais e biodiversidade, deu a um vinho "amigo" da natureza.

O nome foi buscá-lo ao «mais pequeno dos cervos que habita a nossas florestas», afirma Gonçalo Almeida Garrett, adminstrador da marca, explicando ainda que «foi à volta desta espécie que desenvolvemos um produto cuja embalagem, papel e rolha de cortiça natural, certificados pelo FSC, contribuem para um ambiente mais equilibrado esustentável». Uma ideia de imediato apoiada pela WWF - World Wide Fund for Nature (para a qual revertem os lucros de venda deste vinho solidário e eco-responsável) e pelo El Corte Inglès de Lisboa e Vila Nova de Gaia, locais onde se pode adquirir o Capreolus.

Esta forma de estar amiga do ambiente, estende-se a outros produtos e serviços da Rovisco Garcia, como os azeites e o turismo de natureza, percursos que dão a conhecer a herdade, as vinhas e, sobretudo, os modos de protecção da fauna e flora locais.

O Capreolus, vinho multicasta (Aragonez, Syrah, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet), é daqueles que vai bem com tudo. Embora tinto, é leve e agradável, combina bem com a primavera que está a chegar, seja em tapas ao ar livre - um copo ao fim da tarde com uns queijos para picar - ou numa jantarada de amigos.
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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Dois Dedos de Conversa com Gonçalo Almeida Garrett

Descontraído e afável assim é Gonçalo Almeida Garrett. Aos 41 anos e casado há 15, é o super pai de 3 crianças a quem procura proporcionar uma infância de afectos e experiências marcantes. O à-vontade com que troca fraldas e prepara biberons, é o mesmo com que organiza expedições à neve com os mais velhos ou passa tardes a brincar com os três quando a Mariana tem trabalho para pôr em dia. É na sua profissão e no seu dia-a-dia que valoriza e constrói aquilo em que mais acredita: a ligação à família e o eterno regresso às origens.

1. Como é que um gestor agrícola, desconhecido do público e habituado a um pacato quotidiano no Alentejo, foi parar à capa da revista "Cristina"?


A capa da revista Cristina aconteceu por intermédio de uma grande amiga nossa, a Madalena, que me contactou a sondar a minha disponibilidade. Conversámos um bocado e achamos que poderia ser uma ideia gira, para fazer uma surpresa a Mariana. As pessoas que me conhecem sabem que não sou dado muito a este tipo de coisa, e foi por isso mesmo que decidi alinhar nesta aventura, e ainda bem que o fiz, pois adorei toda a interacção com a Cristina Ferreira e sua equipa. São pessoas fantásticas, de uma disponibilidade e simpatia extrema, apesar de toda a carga horária e de trabalho que a profissão lhes exige. Gostei tanto, que quando ligaram para participar uma segunda vez no numero de aniversário da revista Cristina, disse-lhes logo que sim e que podem sempre contar comigo.
"Cristina", Dez 2015

2. Voltando ao início, nasceste em Lisboa, viveste em S. Paulo, uma das cidades mais cosmopolitas do mundo e, ainda criança, regressaste a Portugal para viver no sossego do Tortosendo, perto da Covilhã. Que episódios mais marcantes guardas dessas vivências?

Para mim, o Tortosendo é onde gosto de estar, é a minha casa, é para onde gostaria de voltar. Vim de São Paulo com cerca de 10 anos de idade, e deixar uma cidade com mais de 10 milhões de habitantes, para vir para uma vila do interior de Portugal dos anos 80 foi um choque muito grande. Ainda me lembro bem do primeiro dia de aulas, marcou-me muito o facto de na hora da chegada, ter quase toda a escola à minha espera na entrada para ver o "bicho" que vinha do Brasil. Durante uns anos deixei de ser o Gonçalo, para passar a ser o "brasileiro". Como era diferente, tive muitos problemas ao início, com muitas brigas no pátio da escola, mas tive de me virar e acabei por me tornar amigo de todos.

Outro dia, em conversa com um amigo meu desses tempos, foi-me lembrado que eu tinha uma frase típica quando começavam a embirrar com o "brasileiro" que era "não enche o saco...leva um soco!" e ele sabia que o melhor era seguir no meu conselho...


Tenho pessoas lá, a quem chamo amigos, de todos os estratos sociais, e quem vive no Tortosendo entende aquilo que digo. Lá conhecemo-nos todos, fizemos todos a escola juntos, fomos todos juntos de excursão com o Colégio, fomos todos nadar ao rio Zêzere, andávamos juntos de bicicleta (Orbita, claro) nas ruas do Tortosendo, muitos de nós iam para a Serra da Estrela fazer ski (esses eram dias fantásticos), todos se encontravam na feira de São de Miguel no bairro do Cabeço em Setembro e, quando chegou a idade de sair à noite, todos iam parar ao "Número Um", a melhor discoteca de todos os tempos!

Não trocaria o destino que tive por nenhum outro. Viver no Tortosendo fez de mim a pessoa que sou hoje, muito mais vivida sócio e culturalmente do que aqueles que se ficam apenas pela metrópole. Ensinou-me a gostar de estar com toda gente, desde a pessoa mais simples até ao mais importante, com respeito, sem preconceitos ou snobismo. E por muito mundo que tenha corrido desde então, foi lá que acabei por conhecer, durante umas férias enquanto ainda vivia em Inglaterra, a Mariana, com quem casei e que hoje, passados 17 anos, temos três filhos fantásticos e todos gostam de ir ao Tortosendo, a minha casa.
3. Mais tarde estudaste em Inglaterra e trabalhaste em empresas como a BMW ou a Bergé. Como se dá o salto para que um engenheiro mecânico de formação passe a dedicar-se ao alentejo e à agricultura de alma e coração?

Bem, sabia que havia a possibilidade de um dia ter de ir para os negócios de família, mas confesso que nunca tinha imaginado que fosse tão cedo. Apesar de ter tirado um curso técnico de formação, sempre gostei de gestão e da área comercial, nunca perdendo a oportunidade de obter mais formação nestas áreas. No Tortosendo, do lado de meu avô Gonçalo, a nossa principal actividade era industrial (lanifícios) mas, infelizmente, por motivos alheios à vontade do nosso ramo da família, fomos forçados a deixar esse negócio, ficando apenas a parte florestal (Pinhal). No Alentejo, do lado da minha avó Maria Antónia, a actividade é mais variada, para além da floresta (montado de sobro e pinheiro manso), dedicamo-nos à pecuária, vinha e vinho; olival e azeite; turismo de natureza e feno de luzerna.

Tudo somado, gerimos a actividade de cinco empresas e mais dois empresários em nome individual num total de mais de 4000 hectares de terras florestais e agrícolas, em actividades que vão desde a agricultura com culturas de regadio e florestais, à produção e comercialização de produtos de marca própria (vinho e azeite) e imobiliária. Neste contexto, quando me pediram para sair da indústria automóvel, onde me sentia "confortável", para abraçar este projecto familiar num ramo completamente diferente, foi desafiante, motivador e um orgulho o facto de a minha família se ter lembrado de mim e confiado a missão de dar continuidade à Rovisco Garcia. Impossível recusar.



4. O teu local de trabalho é uma vastíssima área de floresta gerida de forma tradicional pela vossa família há muitas gerações. Dirias que a sustentabilidade e o respeito pelo ritmo dos ecossistemas é tão ou mais importante que o crescimento do negócio?

Cerca de 75% da área total que gerimos é floresta e o montado (sobro e pinheiro manso) assumem um papel muito importante pois, apesar de ocuparem cerca de metade da área florestal, representam 70% da rentabilidade total. Em Portugal há um ditado que diz o seguinte: "vinhas das minhas, olivais dos meus pais e montados dos meus antepassados". Eu tenho de agradecer aos meus antepassados por terem mantido a floresta para nós e espero fazer um bom trabalho para as gerações futuras. Na floresta, e na natureza em geral, tudo leva bastante tempo para acontecer, mas os danos que se produziram, pela revolução industrial; por crime; negligência; más práticas agrícolas; sobre exploração das terras ocupadas no pós-revolução; foram muito rápidos, alguns quase imediatos e irremediáveis.

Como todos os temas ambientais da actualidade, a floresta assume um papel vital para todos e temos de cuidar dela: enterrando os mortos; cuidando do vivos e tratando das futuras gerações de árvores. Mas remediar o que está mal leva muito tempo. Por exemplo, uma árvore como o sobreiro leva cerca de 40 anos até estar "adulta e produtiva", pelo tudo o que faça hoje vai produzir resultados quando eu já tiver mais de 80 anos de idade (se ainda cá estiver!).

Deste modo, o que fizemos foi diversificar a actividade, para não estarmos dependentes da floresta, e poder reinvestir nela tudo o que possamos, fazendo uma gestão responsável e sustentável, com respeito pelo meio ambiente e privilegiando o valores naturais sobre os meramente económicos. Esta nossa filosofia de gestão permitiu-nos fazer parte de um grupo de certificação reconhecido pelo FSC e PEFC, assim como fazer parte do grupo das "Wildlife Estates", que reconhece as melhores propriedades da Europa pela sua gestão com respeito à biodiversidade.



5. No documentário que a BBC produziu, com a vossa colaboração e em parte a vossa herdade, além das actividades ligadas à agricultura e pecuária, mostra-se com detalhe a espectacular diversidade de fauna e flora locais. Como é que a BBC vos "descobriu"?
Descobriram-nos através da cortiça. O meu pai é reconhecido no meio como empenhado, pioneiro e inovador no que diz respeito ao montado e sua gestão (pioneiro e inovador não significa investir em tecnologia e sim fazer as coisas de forma diferente). Na altura, quando a BBC contactou algumas entidades com a intenção de realizar um documentário sobre o montado e a biodiversidade, foi quando chegaram até nós, por sugestão e reconhecimento do trabalho que já fazíamos nesta área.

6. Os teus filhos já foram contagiados pela paixão alentejana? Afinal para eles é a casa de família...

Claro que sim!. Eles adoram o campo, os animais, os passeios, a "soltura" e o espaço para poderem correr, brincar e explorar.



Todas as semanas, fora da época das chuvas" recebemos grupos dos EUA e Canadá, que nos vêm visitar e aprender um pouco sobre a floresta mediterrânica, o montado e a sua importância para a preservação da biodiversidade. No fim da visita oferecemos um almoço em casa da minha avó com a família, onde os miúdos, quando estão de férias, também conseguem estar presentes. É engraçado ver como as crianças já falam com estes nossos convidados com paixão e razão sobre o "nosso Alentejo".

7. Durante a semana, embora vivas entre o Estoril e o Alentejo e faças a gestão de cinco empresas, és um marido e um pai presente. Como organizas tempos e saudades?

As saudades são ingeríreis, mas estou agradecido à Internet, ao telemóvel e a todas as novas tecnologias, pois permitem-nos estar mais perto e contactáveis hoje em dia. Quanto ao tempo, obriga-me a andar muito na estrada, mas agora que temos escritório em Algés permite-me vir pelo menos uma vez a meio da semana (4ª feira), e assim apenas durmo duas noites fora de casa em vez de estar toda a semana fora, o que é importante para a Mariana e para os miúdos.

8. Depois de dois filhos rapazes, que estão agora na adolescência, regressas às rotinas de um bebé e às noites mal dormidas com a chegada da "princesa" lá de casa. Como está a ser reviver a experiência 10 anos depois?

Com preguiça, muito cansaço mas muita alegria! Já não temos vinte e tal anos de idade como foi com os outros. Estamos mais velhos e isso já se sente. Mas quando a pequena "pirata" olha para nós e ri com aquela cara redonda, não há como não nos derretermos com ela. Os irmãos tem sido fantásticos e são uns amores com a mana, desde que não se lhes peça para mudarem as fraldas! Sai logo um "Isso é yacaaa pai!". Estou muito feliz pela vinda da Victória, pois quando for velho e já toda gente estiver farta de mim, os meus filhos homens casados e entregues ao "inimigo", vai ser ela a cuidar e a mimar o velhote.

9. Que valores ou pilares consideras essencial transmitir aos teus filhos?
Espero que os meus filhos, acima de tudo, sejam eles mesmos e não algo que alguém ou alguma entidade queira que eles sejam. Quero que tenham as suas próprias ideias formadas e que não pensem pela cabeça dos outros. Costumo dizer-lhes "não sejam ovelhas" que é uma coisa muito comum hoje em dia. Temos de saber ouvir e respeitar os outros, mas temos de pegar nessas ideias ou conversas, reflectir sobre elas e formar a nossa própria opinião sem medo de exclusão. O resto, a honestidade, a integridade, o empenho, o respeito, a bondade, entre vários valores e princípios que gostaria que lhes ficassem intrínsecos. Apenas podemos repetir vezes sem conta quando a situação exige que o façamos; dar o exemplo e esperar que quando eles tenham de fazer as suas escolhas de forma autónoma se lembrem disso ou oiçam uma vozinha lá no fundo do subconsciente que os aconselha bem para fazerem a escolha acertada.


Para viver o Alentejo na primeira pessoa, não perca o documentário da série BBC Vida Selvagem sobre o montado que a família do Gonçalo preserva há gerações. Sente-se confortavelmente, reúna a família, clique no link abaixo e deixe o horizonte entrar!

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quarta-feira, 11 de maio de 2016

A arte de tricotar...


A minha avó era um ás no tricot e costuras. Em casa, com a ajuda da Lígia e da Manuela criava roupa para bebé e criança. Vendia algumas coisas mas acho que a maior parte era para nós, aliás todos tivemos direito a enxoval completo. Não comprávamos quase nada. Lembro-me de ter pânico das provas de roupa cheias de alfinetes, picava tanto ( a Ligia e a minha querida avó tinham tanta paciência...)


A minha mãe e tias são também, como manda a tradição familiar, super prendadas. Até na praia em pleno verão conseguem fazer tricot. É preciso um casaquinho para a Vi... claro e em menos de uma semana. Os meus filhos tiveram os três um enxoval feito por avós, bisavós e tias avós, já que na família do Gonçalo todas sabem tricotar lindamente, a minha sogra, tal como a minha mãe é uma máquina.


E eu? Era de se esperar que seguisse esta tradição e que também soubesse tricotar na perfeição...  Mas não. Na minha infância às quartas-feiras tínhamos tarde livre e em casa da minha avó aprendíamos a tricotar, fazer ponto cruz e crochet. Fiz tudo isto mas rapidamente me esqueci e quando nasceram os meus filhos não fiz nada para eles vestirem. Limitei-me a criar o álbum de fotografias (já não é nada mau). Acho que vou ter de reaprender e começar já a fazer nem que seja umas botinhas para futuros netos... :)


<3 Mariana



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