sexta-feira, 27 de maio de 2016

Dois dedos de conversa com Filipa Guimarães

Cresceu rodeada de tecidos e trapos, de alfinetes, linhas e novelos, matérias-primas que via transformadas em roupas práticas que vestia (e sujava!) nas inúmeras brincadeiras no campo. Com a mãe e as tias entretinha-se horas a fio a fazer tricot e ponto cruz, um jeito que herdou da avó e que faz questão de transmitir às próprias filhas. Foi desta união familiar que nasceu a Nós e Tranças, loja que há 25 anos reinventa os clássicos e tem a capacidade de nos surpreender a cada nova colecção.

1. Quando eras pequena, os vossos irmãos e primos vestiam-se sempre de igual nas festas de família mas, invariavelmente, acabavas “diferente” de todas os outros. Já desde esse tempo que para ti a roupa era para ser vivida e à prova de brincadeiras?

É verdade, por muito que me esforçasse acabava sempre vestida de maneira diferente! Na minha família havia a tradição que as crianças em situações festivas vestiam-se sempre de igual. Na altura era a minha avó que idealizava tudo. Claro que eram vestidos lindos, cheios de rendas e folhos, ou saias travadas que não me deixavam subir às árvores… Mas eu, como “menina do campo”, não aguentava muito tempo sem cair numa poça, ou comer cerejas directamente das árvores e sujar logo o vestido todo! Hoje percebo que os tempos mudaram, continuo a dar a mesma importância às crianças estarem bem vestidas mas também bastante confortáveis. Foi por esta razão que decidi criar uma sub-marca Cotton by Nós e Tranças. Este conceito baseia-se em roupa prática e confortável, todas as peças são 100% algodão e muito fáceis de engomar. Também tem que ser prático para as mães e engomar não é o meu forte! ;)
2. Uma infância de rua e de campo, onde fizeram parte muitas subidas às árvores e barrigadas de uvas e cerejas. De que de forma essa liberdade e contacto próximo com a natureza moldou a tua personalidade? 

A minha infância foi realmente feliz! Tenho óptimas recordações e acho que o campo faz bem a todas as crianças. Passava a maioria dos meus fins-de-semana e férias numa quinta, tinha contacto com a natureza, conhecia as árvores de fruto, fazia “papinhas” de terra com legumes que apanhava na horta para as minhas bonecas. Acho que influenciou bastante a minha personalidade no sentido que não dava tanta importância aos bens materiais, como consolas e afins, que já existiam naquela altura. Com pouco, ou seja, com terra, água, fruta, árvores, bicicleta e pouco mais, fazia-se tudo! Acho que também me tornou uma pessoa mais simples e criativa.
3. Tiraste o curso de marketing e fizeste um estágio na Jerónimo Martins antes de ingressares na Vileda. Mas em 2007 és chamada para o negócio de família. Quais eram as tuas expectativas e o que sentiste ser preciso manter e/ou mudar? 

Tirei o curso de gestão de marketing. Inicialmente idealizava ser gestora de produto de uma multinacional qualquer. Na altura fui desafiada pela Nós e Tranças para modernizar a marca e fazer a expansão da mesma. Hesitei claro, um negócio de família tem muito que se lhe diga, mas acabei por aceitar porque era realmente um desafio para mim naquela altura. A Nós e Tranças já existia há bastante tempo e com muito sucesso. Eu simplesmente vim tentar dar uma frescura à marca para se enquadrar melhor com os tempos modernos. Novas tecnologias é sempre aquele lado que a minha mãe foge e que, obviamente, era mais fácil para mim. Depois acabei por ir mais longe, um bocadinho de design, um bocadinho de contabilidade, e rapidamente acabei por me envolver em todas as áreas. É claro que a experiência da minha mãe e tudo aquilo que me transmitiu desde pequena foram os factores de maior sucesso. Depois os filhos. Com o nascimento das minhas filhas tive a noção plena de tudo o que é necessário para um bebé. Comecei a sentir falta de algumas peças, não encontrava o que queria, e como já percebia qualquer coisa de costura decidi criar um dos nossos produtos de eleição, as golas com molas. Nada mais prático! Acabaram-se as trocas de bodies dos bebés com os bolsados enormes que, logo de seguida, sujam as golas dos bodies. Troca-se apenas a gola e já está! Também, quando olhava para o armário da minha primeira filha, às vezes sentia que era tudo muito igual, sempre golas brancas com vivos. E pensava: e flores? e quadrados? Com umas simples jardineiras de ganga…fica tão giro! E de imediato me perguntava: valerá a pena comprar um body de flores que não condiz com tudo?  - Golas amovíveis, é isso! Vou criar!

4. Ao longo destes anos muita coisa mudou, nasceram novas marcas, as vendas online estão em força, criaram-se novas formas de negócio e de apresentação das peças. Como é que a Nós e Tranças, que já tem 25 anos de presença no mercado, vem acompanhando estas tendências? 

Desde que entrei na Nós e Tranças que muita coisa mudou. Inicialmente era apenas lojas, revenda e ponto! Agora vai muito mais longe…O mundo digital é impressionante e para acompanhar esse turbilhão é preciso estar sempre a par das novas tendências. As vezes não é fácil, entre Facebook, site, pinterest, instagram, pedidos de casamento, fardas de colégio, visita a fornecedores, mercados; mas tento ao máximo acompanhar todo este mundo novo. Apostamos também sempre numa novidade na apresentação das novas colecções. Novos materiais, novos tipos de produto, novas gamas, mas sempre ao nosso estilo!. Queremos que uma cliente olhe para uma peça Nós e Tranças e diga, “ah isso é Nós e Tranças sem dúvida”. Apostamos em aplicações hand-made em vários produtos para tornar a nossa peça única e com o estilo Nós e Tranças claro!
 5. És mãe de duas crianças, com 5 e 2 anos. Elas já têm uma palavra a dizer sobre o que vestem? Gostavas que seguissem o teu trabalho e continuassem à frente da marca?

Uiii se têm. Então a última nem se fala! Para mim uma criança de 2 anos não tem que escolher aquilo que vai vestir mas confesso que faço seguinte: mostro-lhe duas opções e faço-a escolher dentro dessas. Tanto uma como a outra vivem intensamente a Nós e Tranças, para além de participarem nas sessões fotográficas e nos desfiles são super femininas e vaidosas também. Adoraria conseguir manter a Nós e Tranças para as minhas filhas como a minha mãe fez comigo, sinceramente até acho que a minha filha mais velha é capaz de ter bastante jeito, pelo menos já faz desenhos com bonecos vestidos com roupa super elaborada! 
6. Por último, o que esperas para os próximos 25 anos da Nós e Tranças?
Espero genuinamente que consiga manter este negócio familiar e que consiga passar às minhas filhas todo o know-how que a minha mãe me soube passar. A Nós e Tranças deve-se a ela, sem dúvida, eu simplesmente tento dar continuidade nunca esquecendo as novas tendências e tecnologias que a horrorizam!

 Uma loja onde há duas gerações encontramos as peças para os momentos mais importantes da vida dos nossos filhos: da farda da escola à roupa para casamentos e baptizados, passando pelos mergulhos na praia ou brincadeiras no jardim. 
Tudo prático e lindo! 


Nós e Tranças
Rua 4 de Infantaria 83A, 1350-270 Lisboa
T : 21 3850800
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1 comentário

  1. Top, é sempre bom e positivo saber quem está por trás de uma marca, que veste os nossos filhos todos os dias. Parabéns Filipa por esta determinação e de não permitir que uma marca tão forte como a Nós e Tranças se perca no tempo....
    Joana

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