domingo, 25 de setembro de 2016

"Vinhas das minhas, olivais dos meus pais e montados dos meus antepassados."

No Alentejo, tanto nas férias como nos nossos fins-de-semana estamos sempre a aprender coisas novas! E nós não podíamos ter melhores professores...
Fomos em família, numa manhã quente, acompanhar o Gonçalo na sua volta.


No começo das minhas visitas, menciono sempre uma frase da sabedoria popular que o meu pai me ensinou: "Vinhas das minhas; Olivais dos meus pais e Montados (florestas de sobro) dos meus antepassados". 

A cortiça é a única coisa que Portugal é nº1 no mundo, a floresta de sobro é um dos "hotspots" de biodiversidade em 3º lugar a seguir a Amazónia, e está presente apenas na bacia mediterrânea, pelo que a sua preservação é vital e muitos produtores estão sensibilizados e a fazer um bom trabalho (embora por outro lado assistimos ainda muitos crimes ecológicos e de má gestão por este Portugal afora que deveriam pertencer ao passado).
Um sobreiro para começar a produzir leva entre 18 a 25 anos, a cortiça é retirada de 9 em 9 anos, com a primeira e segunda tiragem a não ter mais valia comercial, apenas a partir da terceira, quando a arvore se aproxima dos seus 40 anos de idade é que começa a ser rentável. 
O "payback" de investimento no "montado" é cerca de 83 anos, por isso quem quer investir pelo simples retorno de certeza que não é este o negócio certo para si, e por essa mesma razão é que agradeço, á minha bisavó Judite (que ainda conheci), à minha avó Maria Antónia, meu pai e tio e todos os meus antepassados, o facto de pensarem para além de si próprios, e terem investido e mantido as herdades e os montados da nossa família Carvalho Rovisco Garcia, para que nós, na nossa geração possamos dar continuidade ao trabalho dentro do âmbito da sustentabilidade que fizeram. Espero que as minhas irmãs e eu tenhamos sorte e continuemos fazer um bom trabalho e muito investimento na floresta para deixar algo de bom para as gerações futuras, pois tudo o que estamos a fazer hoje, não vamos ser nós a ver o resultado e sim os nosso filhos e netos. 
Estes dias em que os miúdos estão connosco no Alentejo, a ver o que fazemos e porquê é feito como é, são importantes para se envolverem, aprenderem e quem sabe tomarem o gosto por isto e dar continuidade a isto tudo. 
:) Gonçalo















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