quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sonho realizado e afinal até aguentei!


Desafiei os meus filhos a participar nos 30 anos da Baja Portalegre 500, e quando eles se cortaram disse a minha famosa frase: "Vai ter de ser o velho a mostrar como é! Vocês são uns meninos! Eu Vou!", pensei logo, "Estou tramado! Será que vou aguentar?".
E não é que afinal até aguentei! Quando estava a fazer os últimos quilómetros nem queria acreditar, mas não foi fácil chegar até aqui, deu muito trabalho!



Comecei apenas em Setembro logo a seguir as férias e tinha apenas dois meses para me por em forma. Comecei com uma dieta, estava com cerca de 90 kg de vida boa, férias, boa comida e bom vinho. Não fiz nada de especial, continuei a comer de tudo mas sem exageros e comecei a fazer exercício físico. Perdi 10 kg.
Como não tenho muito tempo livre, o exercício teve de ser "caseiro", com exercícios de cardio, pernas, mãos, braços, costas e abdómen. Parece que resultou, mas tive de gerir muito o físico durante a corrida para aguentar. Se voltar a repetir tenho de começar mais cedo e aumentar significativamente a intensidade para poder sobreviver melhor à experiência. O treino de mota também foi curto, pois a trabalhar a 200 quilómetros de casa, a família não pode ficar para trás, por isso apenas me restava uma pequenas voltas ao final do dia que foi muito pouco. Para terem uma ideia fiz menos quilómetros de treinos que fiz em dois dias de prova. Depois temos toda a logística, e sinceramente aconselho a não arriscar ou inventar: para dormidas, pedi guarida em Portalegre ao Simão e Carolina para estar perto de onde precisava estar e eles foram impecáveis. Para a Assistência e apoio durante a prova, é deixar quem sabe condenar tudo, por isso pedi ao Pedro Bianchi Prata com ajuda do Simão Catarino e seus amigos do lado Rovisco Garcia. Não podia ter corrido melhor e foi um descanso. Não iria de outra forma.


Antes da prova estava nervoso, porque não sabia o que me esperava, e no final do primeiro dia fiquei preocupado pois apenas tínhamos feito a primeira e segunda especial que eram cerca de 90 quilómetros e sentia-me cansado e com as forças a faltar no final, o que não era um bom presságio para o dia seguinte onde iríamos fazer cerca de 4 vezes mais essa distancia e com o terreno muito mais duro e partido depois da passagem dos carros. Acordei na manhã do segundo dia com uma preguiça e com o sentimento de que não iria correr bem. Tive a sorte de ter muitos amigos e a minha família a ajudar na motivação e descontração, por isso parti para o segundo dia com bom humor e sem pressão nenhuma.


Depois da partida foi arrancar com calma, pois era uma maratona, e o objectivo era chegar apenas  à próxima assistência, e talvez acabar a prova. E assim foi, pouco a pouco, com muitos amigos meus espalhados pelo percurso a dar força que não fazia ideia que estavam lá. Vieram de Lisboa, Covilhã, Algarve e Alentejo para ver a prova e quando passava alguém conhecido era uma festa o que foi uma surpresa e tornou as coisas mais fáceis! Quando cheguei à ultima assistência só me lembro do Pedro Bianchi Prata que esteve a acompanhar quase em todas as assistências a dizer: "Esta já é a ultima Gonçalito! Já falta pouco! Força!" Passou mais depressa do que estava a espera e correu bem melhor do que se avizinhava pela manhã.


Nota muito positiva à organização da prova, com o percurso muito bem marcado e um cuidado extremo com a segurança. Muitos participantes, com muitos a andar extremamente bem e muitas estrelas, como Stephane Peterhansel, Helder Rodrigues, Maio, Oliveira, Megre, etc, mas todos com um espírito muito amigável. O publico impecável na sua grande maioria, a ajudar a fazer desta Baja uma grande festa, infelizmente com excepção de uns quantos irresponsáveis ao longo do caminho que se divertem a por a vida de terceiros em risco só por divertimento a mandar acelerar a fundo contra armadilhas, muitas vezes construídas pelos próprios para nos verem cair e magoar. Pelas palavras dos mais experientes é prática comum e o conselho é quando virem muita gente junta, numa zona de pouca visibilidade, a apontarem para um determinado lado e a dizer para ir "a fundo" é fazer exactamente o contrário, é ir pelo lado oposto e passar devagar, pois normalmente é "armadilha".


Fiquei muito feliz por ter realizado o sonho de participar e acabar uma Baja Portalegre 500, a melhor prova TT da Europa, e com o resultado de 48º a geral no final dos dois dias logo na minha estreia e 10º da classe Veteranos. Para o ano se puder gostava de repetir a experiência, mas mais bem preparado, pois a prova é muito dura, muito longa e exige muito de nós fisicamente.
:) Gonçalo
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1 comentário

  1. Fantástico Gonçalo. Que orgulho, tem que participar todos os anos... Força!!!

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